Eu te ensinei tudo, sem sequer me dar conta que a professora sempre foi você.

Eu tentei vencer o medo de ver você indo embora, devagar, mas eu não consegui. Eu fiquei de coração partido quando você pediu para subir as escadas do colégio sozinha, mas soltei sua mão como quem larga um diamante dentro do oceano. Eu relutei e tentei inventar mil desculpas para você não viajar sozinha com os amigos para o sítio da escola, mas subornei meus próprios pensamentos e me mantive ocupada o tempo todo que você estava fora. Apenas para não pensar besteira. Para não pensar que talvez eu fosse a mãe mais controladora da turma. Eu hein, que louca! E eu nunca entendi porque nasci tão obsessiva pela sua segurança. Na verdade acho até que alguns chamam isso de amor.

Tantas vezes eu pedi que você crescesse, que saísse das fraldas, que largasse o bico. Como eu quis que você aprendesse a sentar, a andar… A me olhar e me chamar de mamãe. Eu contei os segundos e os minutos para cantar o primeiro parabéns no seu primeiro ano. Eu lembro de todos os momentos da sua festa, todos! Lembro de todas as suas conquistas, como se eu fosse a vitoriosa. Quando você segurou a colher sozinha pela primeira vez eu senti que era eu quem estava aprendendo a comer. Quando você escreveu seu nome sozinha eu senti como se estivesse sendo alfabetizada novamente. Eu te ensinei tudo, sem sequer me dar conta que a professora sempre foi você.

Não sei quem foi o bobo que inventou aquela história que nossos filhos são para o mundo. Você é e sempre será minha. A sua adolescência não vai apagar dentro de nós duas todo o carinho que trocamos nas madrugadas que te amamentei. Namoradinho nenhum vai te fazer esquecer das mil poses que eu te pedi para fazer na apresentação de final de ano. Festa nenhuma vai arrastar as lembranças das nossas voltas da escola no trânsito dentro do carro. Eu me sentia a própria mulher maravilha inventando de tudo para não te deixar dormir. Mesmo eu estando cheia de trabalho, de cansaço, de stress… Eu fui o avião das tuas papinhas. Eu fui o andador dos teus primeiros passos. Eu fui a bóia no teu mergulho. Eu fui a pessoa que te fez nascer. E você, sem querer, foi a pessoa quem me deu a vida.

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Desliga esse celular e presta atenção em mim.

Senta aqui e me escuta. Desliga esse celular e presta atenção em mim. Já te disseram o quanto você é única? Quando eu falo única eu quero te dizer que ninguém nasceu com o ondulado igual as pontas do teu cabelo. Que o brilho dos teus olhos é inexplicavelmente cheio de mistérios, daqueles que dá vontade de sentar embaixo de uma árvore e passar horas tentando decifrar. O formato tortinho dos teus pés fica lindo quando você usa havaianas no verão. Ou no inverno de meias, também pode ser. Eu sei exatamente como é o formato das tuas unhas e sei reconhecer de longe a tua mão em qualquer foto. A maneira como você levanta a sobrancelha quando quer jogar charme é irresistível.

Por favor, não abandona nunca as tuas manias. Sério. O mundo precisa de mais minas loucas e cheias de verdade como tu. Continua jogando esse cabelo mesmo quando você acha que não tem ninguém te olhando dançar Projota na balada. Continua passando esse delineador que te deixa com o olho ainda mais bonito. E não tenha vergonha de acordar com ele sem make, é justamente no momento que o teu olhar está inchado que a gente enxerga a alma de quem é puro. E a sua, é quase transparente.

Não desiste nunca de ser quem você nasceu para ser. Não deixa nenhum moleque tirar o teu sorriso de dentes brilhantes. Não perde teu sono por fofoca de quem não te conhece. O teu tempo vale demais para ser jogado no lixo por alguém que sequer vai lembrar do jeito sexy que você anda de salto alto no dia seguinte. Isso se ele lembrar de ti no dia seguinte. Dá bola não gata, porque quem decide se doar só de metade acaba ganhando em troca só o caroço do abacate. E você sabe que de metade a tua paciência não dura nem meia hora, né?

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É ele quem cobra a conta da saudade e quem mostra para o coração quem é que manda.

A falta de filtro me incomoda. Me tira do sério. Falta noção no que se diz, falta atenção aos detalhes e falta, principalmente, compaixão aos sentimentos. Que, né, eu e você temos. Eu sinto um vazio tão grande dentro das emoções que chego a pensar que o amor é feito de plástico. Plástico bolha ainda, daquele que você estoura uma vez e joga fora. O carinho voa feito vento, e aquele inusitado encanto se perde no primeiro encontro. A gente se empolga, sim, com as novidades que surgem no nosso caminho assim de repente. Mas da mesma maneira que aparecem rápido demais, elas somem na mesma velocidade. Arrisco dizer que um estalar de dedos é mais profundo que uma ficada nos dias atuais.

Ficada também podemos usar como um bom exemplo: a pessoa ficou por uma hora, por uma noite, e foi embora. Ríspida e sem… Sem nada. Sabe quando faltam até palavras para descrever a ausência de tudo? Os olhares se tornam competitivos, você precisa quase suplicar uma simples atenção, as conversas superficiais consistem em risadas sem muita graça e a troca de Instagram é só mais um meio de deixar as coisas no banho maria. Por que vai que de repente um dia nossos olhos decidem amanhecer diferentes… Relaxa, eles não vão amanhecer. Se não bateu de primeira não é de segunda que vai bater. O santo bate uma vez só, e ele é preciso. Não tem mimimi com sentimento. Ou é, ou deixa para a próxima.

Mas até que não me assusta o fato de nada durar. Sabe porquê? Ninguém ainda tem maturidade para aprender, amadurecer e assim entender. A balada é cedo demais, a necessidade de casamento é antecipadamente rápida e a compra do carro já tem que ser feita antes dos 18. Um dos fenômenos mais bonitos da nossa existência perdeu o sentido: o tempo. É ele quem equilibra as paixões, quem cobra a conta da saudade e quem mostra para o coração quem é que manda. Contra ele, ainda está para nascer. Chance, essa é a palavra mágica da nossa geração. A oportunidade que nós temos de dar uma chance eu não sei onde ficou, mas tenho certeza que não foi por aqui. Uma pena, porque tudo que eu queria afinal era ter uma chance de te mostrar como isso poderia ser bom.texto sobre amor texto sobre relacionamento blog vittamina suh riediger texto about love for love just love

 

E hoje a grande maioria mal sabe o que é o amor.

Amor não foi feito para ser cobrado. Discriminado, mal falado ou mal usado. Eu não sei em que momento a Terra parou de girar e deu meia volta contrária, mas eu tenho certeza que foi na contramão do óbvio que o amor passou a perder o sentido. Pararam de falar dele como sendo o único salvador de casos -quase- perdidos. Usaram ele como motivo de discórdia, de disputa e de crime. Escreveram as mais lindas palavras de amor em livros de poesia, mas não perceberam que queimaram suas difíceis conquistas com as próprias mãos. Feito um bobão. Amar um dia era bonito. Depois se tornou patético. Ontem era brega. E hoje a grande maioria mal sabe o que é o amor.

Fico inteiramente triste em imaginar que aproximadamente dentro de uns 10 anos o que dividirá dois corações será um teclado de smartphone. As discussões serão via WhatsApp e as provas de amor serão comentários cheio de corações e datas inesquecíveis tratadas como algo fenomenal. Quando deveria ser, no mínimo, realmente o mínimo de se lembrar. Estaremos ainda vivos para enxergar adolescentes apaixonados que irão achar mais legal fazer um vídeo íntimo do que levar seu parzinho ao cinema. Nos tornaremos descrentes das relações que serão baseadas no “porque você curtiu a foto dela de novo?”.

Usar aliança será sinônimo de dor de cabeça, afinal irão querer até o ouro no momento da separação. Porque sim, já se casam planejando a separação. Não é pecado, até porque quem seria eu para falar isso, né? Mas será que conseguiríamos ser mais otimistas em relação ao amor? Ou quem sabe mais maduros. Mais seguros. Quem sabe se soubermos, por meros instantes, dosar as palavras na hora da raiva e calcular melhor o número de digitadas conseguiremos evoluir nossa espécie. Porque a evolução só se dá no campo do amor. Ele é o único que jamais perderá uma batalha. Sabe porquê? Porque ele sabe que nunca -nunca- será motivo de disputa.

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Era para ser perfeito? Era. Mas não foi. E não há pecado algum nisso.

Desencanei. Para quem me pergunta o que porque das coisas, eu simplesmente explico assim. Perdi o encanto, a graça passou, nosso tempo não volta mais; ou, se preferir, prefiro seguir a vida sem você. Explicações demais só iriam matar nossos bons sentimentos ainda guardados na nossa caixinha das boas lembranças, boas viagens, boas noites e incríveis sábados à noite de sofá. Não fica insistindo tanto nesses “porquês”, quanta coisa na vida simplesmente não tem explicação? Era para ser perfeito? Era. Mas não foi. E não há pecado algum nisso. Pecado seria eu estar contigo  pensando em outro cara. Falar contigo imaginando outro sorriso sentado na minha frente. Apertar tua mão imaginando ser uma diferente.

Desculpa se a nossa história não teve dom para virar melodia de amor. Mas saiba que para mim, mesmo tendo sido curta, ela me fez enxergar uma constelação de estrelas que ainda não haviam sido descobertas. Você me ensinou o ponto certo da cerveja gelada, me fez gostar de ouvir house quando eu preferia sertanejo e me fez (finalmente) entender o que é um impedimento em uma partida de futebol. E tem mais: eu achava lindo quando você ficava bravo por ciúmes e quando me defendia mesmo quando sabia que eu estava errada. Você foi um grande amor sim. Na hora certa. Apenas com data de começo, meio e fim.

No meu castelinho de ilusões e na minha praia cheia de coqueiros eu continuo imaginando o meu final feliz. Final não, porque eu espero que a minha felicidade não tenha fim. Se ela tiver que vir carrega por um príncipe, que venha. Se tiver que vir carregada de algumas experiências, que venha também. Na areia da nossa praia eu prometo deixar as minhas pegadas bem juntinhas das tuas. Prometo guardar para sempre as lembranças do vento bagunçando teu cabelo e do teu pé descalço tentando calçar as havaianas. E se um dia, eu tiver que desencanar de ti, eu prometo, por fim, guardar dentro do meu coração todas as nossas lembranças, porque elas jamais deixarão de valer a pena. Pode acreditar.

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Se você é mãe, você vai entender!

A gente só se dá conta que o tempo realmente passa, quando ele entra na sua casa sem tocar a campainha e te pega só de toalha saindo do banho. A gente sabe que é inevitável e que ele chega para todo mundo, mas olhar para trás e ver que nada mais daquilo volta, é, muitas vezes um motivo para derramar baldes de lágrimas. Seja de alegria ou de tristeza. Às vezes eu deito na cama da minha filha mais nova e tenho quase que a certeza que não terei mais um bebê na minha casa, na minha vida. Minhas filhas parecem crescer mais rápido que a velocidade da luz, e a impotência de dar um pause às vezes me deixa em pânico! Meu bebê não chupa mais bico. Nem usa mais fraldas. Eu perdi a “manha” de fazer papinha e não sei mais empurrar um carrinho direito.

Quando estamos dentro da situação nos sentimos no meio de um tornado. E quando ela passa, nos sentimos quase que seres humanos inúteis. Eu não preciso mais acordar duas vezes por madrugada e isso ainda me soa um pouco anormal. Elas ainda são crianças, mas eu olho nossas fotos nos porta retratos espalhados pela casa e me vejo daqui há 10, 20 anos lembrando desse presente e enchendo o coração de saudades e felicidades. Todas as fases são boas. Todos os momentos -até os ruins- a gente precisa passar para levar para sempre dentro do peito. A maternidade é isso mesmo, um baú eterno de amor, aprendizados, conquistas, algumas derrotas e muitas, muitas saudades.

Eu curto os dias com as minhas filhas como se eles fossem os últimos. Afinal elas nunca mais terão 6 anos, 2 meses, 13 dias e 9 horas de vida. Na pele macia já nasceram sinais, meu departamento de compras já saiu do bebê e passou para o kids, as mamadeiras deram lugar para os copos e os berços liberaram espaço para as camas. O rosa bebê se tornou rosa pink e o leite virou nescau. Se eu conseguisse expressar em palavras o sentimento incrível que é crescer e viver ao lado das minhas filhas, eu tenho certeza que faria a mais egoísta das criaturas ter vontade de se dedicar a alguém além dela mesma. Em suma eu posso dizer com todas as letras: não existe nada -NADA- no mundo melhor que a maternidade!

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Quem às vezes não prefere fingir que vive em outro mundo?

Se falar sozinho é um certo tipo de loucura, vem cá que temos muito o que conversar. Tantas vezes eu preferi falar comigo mesma do que com outro alguém, que em certo momento duvidei da minha própria capacidade de me relacionar. Quem sabe até de ser alguém interessante para uma conversa de beira mar. Não era falta de vontade de ouvir o outro, era só vontade de me entender um pouco melhor. Eu sei que a maior loucura mesmo é tentar me decifrar, me entender. Eu nunca fui dessas muito compressivas, passivas, altruístas. Deixa que na minha própria loucura eu mesma me entendo. E eu te pergunto: nesse mundo de desafetos, exageros e rejeitos; quem às vezes não prefere fingir que vive em outro mundo?

Eu gosto de encontrar gente que fala a minha língua. Sentar na beira do mar só para fingir que sou só mais um grão de areia no meio daquele infinito: sou dessas. Se quiser me convidar para escutar a chuva deitada na sacada do apartamento no escuro em um domingo à noite, nem precisa pensar duas vezes: já estou lá. Um hambúrguer naquela esquina charmosa com mesa de madeira e coca na garrafa de vidro tem minha cara. Talvez esse meu jeito desapegado seja só uma forma de dizer ao mundo que estou aqui só de passagem, esperando cruzar com muitas almas boas e iluminadas nesse lugar que às vezes vive na penumbra do ser humano de sangue gelado.

Caí aqui sem querer, como se tivesse comprado por acaso uma passagem de vida sem volta. Exatamente por isso eu não vivo por expectativas nem sobrevivo pela dependência de alguém. Eu me basto. Eu me completo. Sou daquelas que dispensa inveja, olho gordo e acha a maior besteira o tal do recalque. Esse tipo de coisa não tem vez no meu dia a dia de cabelo despenteado e rímel borrado. Não ligo. Minha alma tem um ímã com coisas boas. Mesmo que você me faça algum mal, eu sempre vou te fazer um bem. Não significa que sou boba, significa apenas que eu não me importo com mal nenhum. Aqui só coisas boas tem passagem livre; quer tentar?

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