Seu filho já fez isso com você também?

Ontem minhas filhas pegaram pesado comigo. Pegaram pesado de uma maneira, que por um minuto, eu quase peguei as chaves do carro e saí sem destino, atrás de um saquinho de paciência quem sabe escondido atrás de um arco íris em uma cidade qualquer. Ai como eu queria ter ido para uma cidade qualquer para simplesmente ouvir um pouco o silêncio da estrada. Tem dias que elas são uns amores… queridas, brincam juntas sem brigar, não gritam, comem tudo que eu coloco no prato e vão tomar banho sem ter que fazer um mantra de: “vamos tomar banho! está na hora! só mais cinco minutos! você precisa dormir! agora deu, cansei!” Mas tem dias que tudo, TUDO é problema. E hoje foi esse dia.

O dia começou com chuva (só uma mãe entende o que é entreter crianças em casa com chuva), e o humor já pesou em não podermos sair. Uma estava gripadinha e a outra com machucado no dedão do pé. Motivão para fazer o maior auê e disputar espaço de quem está mais doente e precisa mais do colo da mãe. Oh céus, juro que eu só queria ler uma matéria que compartilharam no facebook pelo celular, sentada do lado delas assistindo desenho, mas não deu. E aí esse tempo exclusivo começa a cansar minha paciência. E meu corpo. E meu espírito. E eu toda, por inteiro, da cabeça aos pés até chegar na alma! Daí acontece a maior loucura que existe nesse mundo que somente uma mãe (ou pai, claro) é capaz de sentir: o sentimento de culpa se iguala ao sentimento de amor próprio.

É, não é porque somos mãe, que deixamos de existir. Aliás é justamente o contrário, se você não estiver bem e feliz como pessoa, não conseguirá se doar da melhor maneira para criar, educar, ensinar e fazer feliz seu filho. Então começa aquela batalha mental de: -meu Deus, sou a pior mãe do mundo porque mandei elas ficarem quietas, elas irão me odiar para todo o sempre! -Mas peraí, se eu não der limites para essas crianças quem vai dar quando elas forem adultas? Aí minha amiga, se você ainda não é mãe pode parar de ler o texto porque não vai entender mais nada do que vou escrever.

Depois de toda essa perda de paciência, incapacidade de ler uma matéria de 2 minutos no facebook e dúvidas cruéis na cabeça, resolvi deixá-las brincar um pouco fora de casa já que a chuva tinha parado. O latão que guardamos água da chuva estava cheio, e eu liberei geral as roupas e cabelos para molharem; delas. Busquei minha câmera para registrar a felicidade delas (e minha, ufa!) e eis que depois de explicar que não poderiam me molhar pois estava com a câmera na mão… meu dia fechou com chave de ouro. Banho de água com barro no meu cabelo, na minha roupa, e na minha câmera. De propósito.

Eu não sabia se ria, chorava ou me afundava naquele latão de água barrenta. No final “rodei a baiana educacional” da maneira mais paciente que eu consegui e acabamos a brincadeira. Porque quem não sabe brincar, não merece brincar. Depois que elas tomaram banho e sentaram para assistir desenho na sala, os ânimos se acalmaram e eu pensei bem e acabei ficando com um aperto no peito por ter tirado elas da brincadeira. Mas, se eu não fizer o meu máximo para educá-las, quem irá fazer? Eu torço para que minhas filhas cruzem com pessoas no mundo que também foram tiradas das suas brincadeiras quando não souberam brincar, senão quem irá tomar um banho de água barrenta na cabeça, serão elas.

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